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Trabalho por aplicativo cresce 25%, mas precarização aumenta

Um novo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Unicamp, revela que o número de trabalhadores em plataformas digitais no Brasil (motoristas, entregadores, etc.) cresceu 25,4% em dois anos, atingindo 1,7 milhão de pessoas em 2024.


Apesar da expansão, a pesquisa aponta para a consolidação da precarização do trabalho. Trabalhadores de aplicativo cumprem, em média, 5,5 horas a mais por semana que os demais ocupados. Eles recebem 8,3% menos por hora trabalhada (R$ 15,40 contra R$ 16,80).


O rendimento mensal maior é resultado apenas do excesso de horas, e não de valorização. Mais de 60% desses trabalhadores não contribuem para a Previdência Social. O discurso de autonomia é contrastado pelo controle efetivo. Mais de 50% dos trabalhadores relatam ter a rotina influenciada por bônus e metas, e mais de 30% temem bloqueios caso não as cumpram.


Para o MPT, os dados confirmam que o modelo de plataformas está baseado na desproteção social e representa um risco de retrocesso nos direitos trabalhistas no país.


“O avanço significativo do trabalho em plataformas no setor de serviços mostra o potencial ilimitado da expansão desse modelo de negócio para outros setores da economia, retratando alarmante quadro de devastação dos diretos do trabalho e de proteção social dos trabalhadores”, afirma a procuradora Clarissa Ribeiro Schinestsck, do Ministério Público do Trabalho em Campinas.

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